Mês: novembro 2015

PARA QUE SERVEM OS ANALISTAS?

Estava eu revendo uma reportagem publicada na Revista Exame (Edição nº 932, Ano 42, de 03/12/2008), na qual o autor, referindo-se aos analistas de investimentos, questionava em que os grandes investidores se baseiam para escolher onde investir. Naquela edição, o autor já discutia as previsões feitas pelos analistas de plantão e que não vinham se concretizando. Veja resumo transcrito a seguir:

“Parece que foi ontem, num passado distante, mas há apenas seis meses uma espécie de euforia coletiva tomou conta do mercado acionário brasileiro. Para a premiada equipe de análise do banco de investimento UBS Pactual, as ações de empresas brasileiras eram uma pechincha em maio de 2008. As razões para tanto otimismo eram de uma clareza científica. As economias de países emergentes, como se sabia, descolavam-se do desempenho dos países ricos. O Brasil havia acabado de receber o tão sonhado selo de país com grau de investimento, e o investidor estrangeiro invadiria a bolsa local na nova fase. A expansão do crédito garantia dinheiro a todos, dos compradores de carros àqueles que financiavam seu primeiro apartamento. O futuro, portanto, sorria para a bolsa brasileira. O UBS Pactual, então, cravou sua previsão para o fim do ano. O índice Bovespa, que reúne as principais empresas do país e estava em seu recorde histórico, de 70.000 pontos”.

A reportagem revela comportamentos duvidosos de analistas quando recomendam portfólio de ações a seus clientes, muitas vezes tendo por trás interesses escusos para beneficiar grupos e/ou empresas em detrimento do seu próprio cliente. No caso brasileiro, tomando-se como exemplo o índice Bovespa, há uma disparidade gigantesca entre a maioria das previsões e a situação atual – veja que em 20/11/2015, a Bovespa apresenta uma pontuação pouco superior a 28.000 pontos. Esse número por si só revela o imenso equívoco entre as previsões e a vida real, talvez por deixar de considerar algumas variáveis importantes, ou até mesmo por não ter como enxergar alguns movimentos, como a alteração da matriz energética, questões políticas, entre outros.

No tocante à volatilidade das bolsas, o que aconteceu? Atualmente muito se discute sobre o preço do barril de petróleo: o que vem ocorrendo? Oferta em excesso? Alteração da matriz energética com a busca por fontes alternativas de energia? Redução do consumo? Será que as bolsas não estariam contaminadas com a concentração de ações de empresas ligadas à cadeia do petróleo e, portanto, numa commodity que só tem puxado para baixo?

Quais variáveis foram esquecidas, então? As previsões feitas por analistas são confiáveis? Os fatores que podem afetar fluxos de caixa futuros das empresas são avaliados corretamente?

Fica aqui nossas considerações e dúvidas sobre o assunto, com a recomendação de que o empreendedor ou investidor não deve acreditar em indicações de analistas sem antes conferir o que foi dito ou feito anteriormente e, ainda, não desprezar a capacidade intuitiva, conhecimento empírico, como uma variável importante.

Leia íntegra da matéria citada (Revista Exame, Edição nº 932, Ano 42, de 03/12/2008):
http://baixenetreload.blogspot.com.br/2008/12/download-baixar-revista-exame-edicao.html

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